Eu tinha 12 anos quando li O Diário de Anne Frank, eu morava em Portugal. Recordo que eu estava um pouco perdida, num país distante, uma cultura totalmente diferente, só com a minha mãe e sem o restante da minha família. Na escola, os alunos me cercavam na hora do intervalo e faziam várias perguntas, algumas interessantes, curiosidades acerca do Brasil e dos brasileiros, outras nem tanto. Sempre fui tímida e aquilo me incomodava, eu nunca gostei e nem me sinto a vontade sendo o centro das atenções. Mas felizmente eles se habituaram com a brasileira e eu pude ter uma vida escolar normal.
Na casa que eu morei tinham muitos livros, eu olhei todos, mas um me chamou a atenção, O Diário de Anne Frank. Comecei a ler e não parei até finalizar. Eu me recordo de algumas histórias do livro, mas o que mais me marcou até hoje foi a tristeza que eu senti com a leitura. O fato da história ser verdadeira contribuiu ainda mais para a tragédia da história. Eu lia avidamente com a esperança de um final feliz, somos assim, não estamos habituados à histórias tristes. Chorei durante todo o livro, mas o final foi a pior parte, porque antes eu tinha esperança de que ela iria sobreviver ao campo de concentração, mas ela morreu.
Até hoje evito ler ou assistir filmes tristes. Eu me identifico muito com os personagens, as histórias. Quando eu era criança não podia ver ninguém chorando que eu chorava também, hoje em dia eu não choro mais, mas fico com o coração partido. Tudo tem um preço, e é este o preço que se paga por ser sensível.

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